segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Poema 43


Sobre o Mundo

A espantosa realidade das cousas/
É a minha descoberta de todos os dias.
Alberto Caeiro
Tenho cuidado
pra não deixar minha alma
falar muito alto e atrapalhar o ritmo
com que tudo, desde o Início, se mantém.

(não me julgues: também
as flores são borboletas que
decidiram não ir mais além)

Meu coração só bate quando arranco uma parte
de algo ou de alguém e ponho em mim:
sou de tudo que existe no mundo
um voluntário refém.

(por Filipe C.)

6 comentários:

mari disse...

Será que é certo ganhar força ao observar o mundo? Ou devemos nós cobrir o mundo com as nossas forças?
Será que as flores não voam por que? não querem? não podem? não se sentem capazes?
Não será triste ser alguém que depende "de arrancar partes de algo ou alguém" pra ter seu coração batendo?

Por que será que eu também me sinto refém das suas palavras?

Feliz 2008, melhor poeta de todos!

Juju disse...

Encerrou o ano com belas palavras.
Palavras que nos fizeram ter diversas sensações. Amamos com elas, sofremos com elas, pensamos por causa delas, choramos por seus significados que nos tocaram levemente e nos fizeram compreender certos momentos da vida.
Parabéns por esta capacidade de transmitir liçoes de vida com tanta simplicidade.
Devo, no entanto, admitir que nunca fui fã de poesias. Textos (como os do Marcelo - íniciozinho desse blog) sempre me fizeram refletir muito mais; só que aprendi com esses poemas e com suas aulas que não é a forma que deve mexer comigo, e sim as mensagens (sejam elas implícitas ou não) que são passadas.
É esse um dos motivos pelos quais o admiro tanto e também o porque das suas OUTRAS PALAVRAS terem se tornado meu vício (bom) de todas as segundas- feiras.

Na maioria das vezes, preferimos deixar a vida seguir seu caminho sozinha, sem que seja necessário a interferência de nossa alma.
Tornamo-nos assim, reféns voluntários do destino. Deixamos em suas mãos o presente e o futuro.
Sábias palavras, com sempre.
Bjux, poeta preferido.

Kah disse...

Oi, seus poemas são lindos.
Tenho uma curiosidade: por que não usa título? Bom...escrevo também e não consigo não "criar" um! risos.
Parabéns, bom 2008.

Rebecca disse...

Poeta preferido,
Esse poema me deixou pensativa... não sei se é bom ser tão passiva assim, acho que a alma tem que falar alto sempre. Agora que você escreveu isso, fiquei pensando que o segredo da felicidade pode estar na gente ver as coisas bonitas do mundo e não altera-las...não sei...hahaha
Que você possa continuar alegrando nossas segundas com seus belos poemas. =)
Bom 2008!

disse...

Incrível...

Vivi Balboa disse...

Perfeito Couto!
Eh admiravel como voce consegue ser um incrivel poeta, alem de otimo professor.
Nunca comentei aqui, mas ja visitei varias vezes.
Seus poemas sempre me tocam bastante. Adoro le-los.
Beijao.