quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Poema 172

Coisa amada – poema em três movimentos

1.
Por mais que eu me passe a limpo 
em poemas e sonhos, 

não te encontro, minha Coisa Amada
meu labirinto, meu trabalho de Sísifo.
 

Então, te invento, 
te crio.

2.
Diga: como saber quem é você,
se eu sequer sei quem sou?

(O tempo que vivo hoje é igual
a outro que passou. Mas qual?)

Recolho pelo chão roupas e dores
que são minhas, e não reconheço.

Tateio um escuro
de mim, Coisa Amada,

e tenho medo.


3.
Somos dedos da mesma mão,
filhos do mesmo delírio.

Somos um com o outro, Coisa Amada,
Quixote e Sancho contra gigantes

(e moinhos).

(por Filipe Couto)

2 comentários:

Renata Elisie disse...

déjà vu.

R. Elisie disse...

postado quase no mesmo dia do ano passado.
- e segue incrível a cada leitura.