segunda-feira, 14 de maio de 2007

Poema 7


Sobre o Passado

Um dia, não deixaremos que o passado dance
com as lágrimas rasas dos nossos olhos...nem que ele brinque
de faz-de-conta, com o que restou do nosso espólio.

Um dia, retiraremos as máscaras que impusemos
às nossas dores e vestiremos (com orgulho) a verdade,
com todas as cores que o cinza sonha ter.

E, assim, um dia, cara-a-cara, não diremos nada:
assumiremos, convictos, o silêncio dos vazios
que nos preencheram nessa estrada.



(por Filipe C.)

11 comentários:

Rebecca disse...

ai...dessa vez vc se superou, filipe!

esse é o melhor de todos...com certeza! e olha que eu já era fã dos outros poemas todos!

PARABÉNS!

Diego Moreira disse...

Lendo seu texto, essa coisa de máscara me fez lembrar do carnaval. Embora pareça ser um tempo de alegria, o folião é um triste que veste a máscara para esconder sua tristeza.

Deixo um pequeno trecho escrito no meu blog pelo meu camarada Luiz Antônio Simas:

"O carnaval é um período marcado pelo símbolo da máscara, onde se inaugura a idéia do esquecimento do que efetivamente somos. Desde os primórdios da festa, a função social do carnaval é promover a inversão dos valores do cotidiano. O homem veste-se de mulher, o careta toma porres homéricos e por aí vai. O carnaval é o tempo do esquecimento necessário."

E a questão das cores confirmou esse meu pensamento pois você fala em 'todas as cores que o cinza sonha ter'.

A quarta-feira de cinzas é o dia que o folião tira as máscaras e volta a encarar suas dores.

Porém o esquecimento necessário tem um prazo de validade. Os 5 dias de folia têm seu valor mas não dá pra encarar a vida, o cotidiano, como um folião que foge da verdade. Melhor é procurar ver as cores escondidas no meio das cinzas.

Parabéns pelo texto. Bom ver que você está ecrevendo com toda a velocidade e com muita qualidade.

Valeu pelo comentário lá no blog.
Grande abraço!

Filipe disse...

Diego,
A referência aos elementos carnavalescos é proposital!
Obrigado pelos comentários!
Um abração!

adriana disse...

O que seria do amarelo se todos gostassem do azul? Apesar de concordar com o eu-lírico, não foi meu preferido... Estou esperando pra ver o poema em papel de salada por aqui...

(todomundo sabia que minhas ameaças de não voltar eram blefe... Eu fico dando F5 no blog as segundas!! muito bom mesmo...)

Amélia disse...

Nossa, esse foi intenso.
Muito forte!

Mas como preferido, ainda fico com o anterior... aquele mexeu muito comigo.

Mas ainda assim, adorei!

:)

Priscilla disse...

Definitivamente um dos meus favoritos por aqui! lindo poema.
Interessante a associação com o carnaval!
;P

César disse...

Sempre gostei do blog, mas nunca tinha tido vontade de escrever aqui. Hoje não teve jeito, tenho que dizer: você é foda!

... disse...

"assumiremos, convictos, o silêncio dos vazios que nos preencheram nessa estrada"

É disso que eu tenho mais medo.

Tenho medo de olhar para trás e ver que mudei de tal maneira que os meus ideais foram completamente transformados. Que eu deixei de ser aquela jovem idealista (com idéias muitas vezes utópicas, é verdade) para me tornar uma grande advogada, uma grande empresária ou coisa parecida.

Eu acho que esse vazio depende dos objetivos de cada um. Se o grande objetivo e a grande realização da vida de alguém é passar na vestibular, o que vai ser da vida dessa pessoa quando ela conseguir? Como disse o cara do “O que é isso, companheiro?”quando viu o primeiro cosmonauta a pisar na lua: “depois disso a vida inteira dele vai ser um anti-clímax desse momento”.
Tudo isso é só pra falar que esse vazio só se concretiza de fato nessa era da padronização dos costumes e personalidades, em que grupos homogêneos e medíocres de pensamentos de refugiam em seu rebanho de iguais. Um rebanho de médicos, engenheiros e advogados com diploma do pH.

Acho que me prolonguei demais. Isso tudo foi só pra dizer que me identifiquei com o poema. Muito bonito. Parabéns Filipe.

ana laura disse...

"o silêncio dos vazios que nos preencheram nessa estrada"...é tão difícil a gente aceitar que uma coisa que já foi a nossa própria razão de viver seja reduzida a isso! mas é verdade...às vezes a mágoa faz isso e esconder com máscaras as dores só ajuda a que isso fique mais forte...
parabéns, poeta!

Rachel disse...

Parabéns pelos seus poemas, pelo seu aniversário e pelo ser humano magnífico que você é...

Fabi disse...

Mais um... esse então é o mega eu!
=)
Que bonito... Me trouxe um alívio.