terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Poema 163

Saibam quantos estes meus versos virem
que não desistimos da luta;

que ainda há um vento que sopra à noite
espalhando prenúncios pelas ruas;

que nos tambores de minha cidade
batem em compasso dores e alegrias
(as crianças nos sinais e o samba da nossa Vila);

que dentro da gente da minha terra
cresce um monstro, com olhos enormes (em alerta),
a devorar aqueles zumbis nos sofás, diante das tevês.

Porque à vida não se nega uma chance,
e não será deles uma gota do nosso sangue,

enquanto um sorriso puder nos comover.

(por Filipe Couto)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Poema 162

Não, eu não posso mais. 
Não de novo.
Avisem a ela.

Expliquem que agora 
sou eu que estou em voo,

e não posso encontrá-la. 
Não olho a olho.

Supliquem para que não me chame,
que meu corpo (sonho e sangue)
não tem medo do que aconteceu (antes).

Façam, amigos, façam das suas a minha voz 
(hoje perdida em algum canto, em algum pranto)

e gritem e gritem que para sempre serei dela
e que por isso é que preciso partir
e me tornar outro.

Porque eu não posso mais.

Não de novo.
(por Filipe Couto)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Poema 161

Novamente as horas passam 
sem propósito ou escolha, 

perdidas, 
imbricadas umas nas outras. 

Alheias ao que despertam ou cessam, 
ao antes e ao depois, 

as horas brincam de roda, 
se devoram, se renovam,

enquanto na parede da sala resiste 
(embora amarelada) 
uma foto, 

tão só lembrança de nós dois. 
(por Filipe Couto)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Poema 160

A palavra e o sentido

Sobre a mesa já velha e cansada, pousa o poeta
papel e silêncio.

À espera do verso, busca 
aquelas memórias mais tímidas (e se diverte com elas). 
Então, ele puxa dali um fio de história e a desenrola até poder 
amarrar um sentido.

Mas poesia não é sentido.

A poesia não está no tijolo sobre tijolo (previsível edifício,
como a nossa vida bovina de ração, reprodução e rotina).

A poesia só acontece quando um pássaro

foge, 
             sem asas, 
                                 de um poente em chamas;

ou quando se tenta pregar 
                                          o curso de um rio 
ou quando uma pedra 
                                          por ele se encanta.

Cabe ao poeta desamarrar o sentido,
e repousá-lo num escuro tão escuro 
             que é claro e vivo.

Pois só assim também ele pode despertar 
das lembranças e plantar noutro terreno (talvez)
aquele seu primeiro beijo e logo
recolher seu sumo, não por inteiro,

mas até estar forte para 
conseguir respirar apenas silêncio

e enxergar, sem surpresa, 
naquele pouso do papel,

uma boia a salvar a mesa.
(por Filipe Couto)


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Poema 159

Amanhã (poema em dois movimentos)

1.
Amanhã não será outro dia,

pois que a vida de verdade (não esta fingida
das fotos, das festas, dos comerciais de margarina) 

não tem começo, nem fim.

Continuaremos, pasteurizados, em marcha,
a dar de cara com os mesmos erros e acertos,

prontos para consumo imediato,
em busca da alegria que nos prometeram.

2.
Antes de me recolher, no entanto, posto-me 
em frente ao espelho, e não me reconheço:

"– Quem é esse nas minhas roupas,
usando meu nome, meu rosto,
deixando palavras na minha boca...?
Quem é? Que coisa quer, de onde vem?"

Sem resposta, maquinalmente, programo 
o despertador (uso uma composição de Chopin)
e me ponho a dormir.

Quem sabe amanhã?
(por Filipe Couto)





terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Poema 158

A noite e seus perigos (poema em dois movimentos)


1.
Ninguém sabe quando ou onde a vida pode acontecer
(mas todos a procuram, todos a esperam).

Perdida nos passos febris da cidade,
ela passa distraída:
joga-se à frente de um, de outro desvia;

uns a ganham, brincam, enjoam,
outros a perdem (ficam loucos),
e muitos sequer a reconhecem.



2.
Mas, se ninguém sabe onde ou quando, saberia
por quê?

Por que ter essa ferida exposta ao sol 

e ao sal do mundo? 
Por que armar a bomba, tatear o escuro?

No meu quarto
(que poderia ser qualquer quarto deste Rio pintado de gritos),

há uma janela, uma cama

e uma esperança que me sussurra ao ouvido:

" Moço, deixa disso... Dorme pra esquecer..." 

(por Filipe Couto)

sábado, 12 de janeiro de 2013

Poema 157

Foi num sonho (desses que nos pegam 
pelo pé na madrugada) que vi você numa praia 
a contemplar o mar e tudo que mais existe. 

Ali, como a perceber minha presença, 
começou a brincar e a apontar cores 
que ninguém nunca tinha visto, 

e a achar graça do meu espanto, 
enquanto a brisa me abraçava 
com o gosto e o perfume da vida. 

Ficamos os dois assim, juntos, à distância do mundo. 
E você me explicava como são tolas as guerras e a economia, 

e como é absurdo e desumano viver em tanta correria 
para ter o que não se precisa. 

Lado a lado, caminhamos de volta à casa 
(sem mistério, sem peso, sem nada) 

e o sol, em vez de iluminar o caminho, 
só revelava a luz que ele já continha.
(Filipe Couto)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Poema 156

Algo se quebrou na rotina 
do encontro entre onda e areia. 

Algo se perdeu na esquina do horizonte, 
onde o sol se esconde para deixar brilhar outra estrela. 

Há algo (que não se mostra) sussurrando
por entre encostas um nome que não se decifra. 

Há algo em meu peito 
que (em vez de bater)

grita.
(Filipe Couto)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Poema 155

São líquidos nossos sonhos,
nossas casas, nossos casos e rostos.

Líquidos também os abraços
e as declarações e as promessas de mundo novo.

Líquidos, como tudo que escoa e inunda
(rios e mares em conflito).

Líquidos, como teu sorriso,
que me sussurra

"Mergulha".
(por Filipe Couto)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Poema 154

Há quem da vida
procure apenas retas e brandos ventos,
portos serenos, mananciais de sorrisos.

Eu não.

Gosto é das ondas
que (des)afiam pedras
e fazem tombar navios.

São elas que incitam
o mergulho (preciso);

são elas que emprestam sal
a pele, alma e língua.
(por Filipe Couto)

1 - Para comprar meu livro ("Breves Cantares de Nós Dois"):
http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=49&idProduto=49

À venda, também, na Livraria da Travessa e na Blooks (Arteplex-Unibanco)

2 - Para curtir a página do livro no Facebook: https://www.facebook.com/pages/Breves-Cantares-de-N%C3%B3s-Dois/186776411346019

3 - Para me seguir no twitter: http://twitter.com/filipecouto

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Novíssima nota

Queridos e queridas,

Não abandonei o blogue, não! Prometo voltar mais que breve, com um projeto novo!

Enquanto isso, abri uma página para meu livro no Facebook, com fotos, poemas, vídeos, áudios e debates sobre a obra e sobre outros assuntos ligados à poesia.

Quem quiser chegar será, é claro, muito bem-vindo.

Basta clicar aqui e curtir a página!

Obrigado pela companhia de sempre!

Beijos e abraços!

1 - Para comprar meu livro ("Breves Cantares de Nós Dois"):
http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=49&idProduto=49

À venda, também, na Livraria da Travessa e na Blooks (Arteplex-Unibanco).

2 - Para me seguir no twitter: http://twitter.com/filipecouto

sábado, 16 de outubro de 2010

Nova Nota

Queridos e queridas,

Obrigado pelas visitas ainda constantes a este espaço e desculpem-me por não atualizá-lo no prazo prometido.

O hiato terminará em breve, e novos poemas virão por aí!

Beijos e abraços!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Nota

Olá!

Como quem me acompanha já percebeu, entrei num recesso forçado de produção poética ("é que o mundo gira muito mais rápido agora, entende?", Inania Verba). Volto logo depois da Copa do Mundo. Ou antes, se o antes vier.

Obrigado por continuarem lendo os poemas antigos deste blogue e por fazerem do "Breves Cantares de Nós Dois" o grande sucesso que ele é!

Até breve!

1 - Para comprar meu livro ("Breves Cantares de Nós Dois"):
http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=49&idProduto=49

À venda, também, na Livraria da Travessa e na Blooks (Arteplex-Unibanco).

2 - Para me seguir no twitter: http://twitter.com/filipecouto

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Poema 153

A Espera – poema em três movimentos

1.
É o mar o vício
desses seus olhos,
que vivem a procurar

quem há muito se perdeu
sem promessa de voltar.

2.
Mas
ainda que seja só dele

cada esperança, cada saudade,
cada suspiro que você dá,

deixa-me te mostrar
que o tempo pode ser barco,

e que os pássaros
são como velas

brancas e abertas
pra quem se permite enxergar.

3.
Tudo é incerto e relativo
nessa vida:

também eu
posso ser tão seu

quanto você jamais
foi minha.
(por Filipe Couto)

1 - Para comprar meu livro ("Breves Cantares de Nós Dois"):
http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=49&idProduto=49

À venda, também, na Livraria da Travessa e na Blooks (Arteplex-Unibanco).

2 - Para me seguir no twitter: http://twitter.com/filipecouto

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Poema 152 - Edição Especial de 3 Anos!

*Volto a atualizar o blogue na quarta, dia 5 de maio!
 
A Luz do Meu Quarto - poema em três movimentos 

1.

Enquanto a noite passava
(toda de sombras vestida),

e no meu quarto te encontrava
(já quase ao sono oferecida),

eis que tudo, num estalo,
plenamente alvorecia.

2.
Alvorecia de uma luz
que ninguém jamais vira

(diferente dessas lâmpadas
que imitam o meio-dia).

Uma luz que é toda branca,
como a areia que se pisa

numa praia bem distante,
onde nada se embacia;

uma luz que não é refém
das horas (que são finitas),

mas senhora do seu tempo,
o que a faz mais feminina.

3.
Essa luz do meu quarto
que tudo mais alvorecia

era tua voz que me dava,
quando “Eu te amo” dizias.
(por Filipe Couto)

Ouça o poema:

1 - Para comprar meu livro ("Breves Cantares de Nós Dois"):

http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=49&idProduto=49


À venda, também, na Livraria da Travessa e na Blooks (Arteplex-Unibanco).

2 - Para me seguir no twitter: http://twitter.com/filipecouto

quarta-feira, 31 de março de 2010

Poema 151

*Volto a publicar poemas inéditos em 14 de abril!

Aéreo

Há coisas
que calam.

Teu olhar, por exemplo.

Ao encontro dele,
brincar de ser nuvem

(leve de silêncio);

esperar tua imaginação
me dar forma
.
(por Filipe Couto)
Ouça o poema:

1 - Para comprar meu livro ("Breves Cantares de Nós Dois"): http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=49&idProduto=49




À venda, também, na Livraria da Travessa e na Blooks (Arteplex-Unibanco).

2 - Para me seguir no twitter: http://twitter.com/filipecouto

quarta-feira, 17 de março de 2010

Poema 150

*Volto a publicar poemas inéditos no dia 31 de março!

Só Amor

Se é amor o que faz sentar
à beira do precipício

e esperar, como pescador,

sem saber como, nem quando,
nem donde virá teu sorriso;

então, é amor

(só amor)
o que sinto.
(por Filipe Couto)


1 - Para comprar meu livro ("Breves Cantares de Nós Dois"):

quarta-feira, 3 de março de 2010

Poema 149

*Volto a publicar poemas inéditos no dia 17 de março.

Receita de Acordar

Deixar
amadurecer
o tempo.

No escuro,
colher o silêncio
mais-que-anterior à palavra.

Só então saborear
(em sintonia)
teus olhos e a luz;

teu sorriso
sabor de vida.

– Bom-dia!
(por Filipe Couto)


1 - Para comprar meu livro ("Breves Cantares de Nós Dois"):

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Poemas 147 e 148

Alheio

Estrangeiros
em nós mesmos,
tudo nos limita:

o mar
se torna muro;

o ar,
cortina.
(por Filipe Couto)




Escolha a sua versão para hoje


Existem olhos
que (nos) abrigam (de)
temporais.
(por Filipe Couto)

1 - Para comprar meu livro ("Breves Cantares de Nós Dois"):

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Edição Especial - Poemas 142 a 146

Sobre o Carnaval - meditação em cinco poemas

SÁBADO

Entre máscaras e bebidas,

entre pierrôs, arlequins e colombinas,

brinco só,
perdido no cordão.

Redimido das lidas e das culpas,
esquecido dos afetos e das amarguras,

morro (provisório) para a vida
e ressuscito (infinito) para a rua.


DOMINGO

Momo,

ainda é longo teu reinado.

Deixa meu samba
ao teu compasso,
que o mundo

fica do tamanho

de um bairro:

é tempo de nos conduzir.


SEGUNDA

Para revidar as derrotas

de todos os dias –

a alegria adiada,
o beijo negado,
a revolta escondida –

é preciso
encarar certos riscos,

esquecer o destino

e ficar no limite entre

o desengano e a fantasia.

Deixa-me correr o perigo;
deixa-me brincar com a vida!


TERÇA

Veste-me

com a fantasia que quiseres,

dá-me
um nome teu
que eu possa logo esquecer.

Na rua,
onde ninguém
se reconhece, prenda minha,

te amo pra sempre
até amanhecer.


QUARTA

Enfim meu tão carnaval

fez-se cinza.

Só meu coração,
tomado de princesas e odaliscas,

ainda repica
um samba-canção de pierrô.
(por Filipe Couto)

*Volto a publicar na quarta, dia 24/02.

1 - Para comprar meu livro ("Breves Cantares de Nós Dois"):

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Poema 141

"Não penso; logo, assisto"*

Mal abro os olhos,
já vem alguém aqui
me ditar o que pensar,
o que fazer –

corporações, jornais,
pessoas, tevê,
rádio, internet,
revistas, família,
você.

Nesse mundo etiquetado,
eu quero é a dor e a delícia
de uma alma suburbana –

barriguda, livre e minha:

já cansei de delegar a eles
este meu sagrado direito à vida.
(por Filipe Couto)

*Vi essa frase num grafite feito em Botafogo, RJ.



1 - Para comprar meu livro ("Breves Cantares de Nós Dois"):

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Poemas 136 a 140

Queridos e queridas, em 2010, este blogue passa a ser atualizado sempre às quartas-feiras com poemas inéditos. A variedade temática promete ser maior: aqueles que me acompanham desde o princípio perceberão, em alguns casos, um tom ainda mais simbólico nos textos. Espero que gostem deste primeiro conjunto a seguir! Beijos e abraços!


Educação pela Terra – meditação em cinco poemas

1.
Não carrego mais
aquele tremor tímido
de rio nos lábios.

Não é o sonho (líquido)
a nossa primaz matéria:

é a terra.

2.
Que ventos e pássaros
desperdicem seus voos:

alma e corpo,
eu aqui me revolvo.

Com ou sem arados.


3.
Para lavrar,
é preciso ter olhos duros;

olhos de ver muito,
de ver fundo;

olhos de não achar.

4.
A terra, se bem trabalhada,
alvorece a cada toque da enxada:
tudo lhe é recente e verdadeiro.

É da terra

viver o instante:
não o claro e derradeiro,

mas este constante-primeiro
(a promessa do devir, o denso nevoeiro).

5.
A terra
em si
se renova.

Ela não precisa ir ou vir,
tampouco migrar ou fugir.

A arte da terra
é poder

(a qualquer dia)
num surto de vida

docemente explodir
.

(por Filipe Couto)

* O título faz referência, obviamente, ao famoso conjunto "Educação pela Pedra", do mestre João Cabral de Melo Neto.

1 - Para comprar meu livro ("Breves Cantares de Nós Dois"):

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Inania Verba / Três da Tribo

Inania Verba

E ela chegou no seu vestido demasiadamente preto. Foi dela a nobreza de um primeiro gesto. Tocando meu braço, perguntou-me como andava a vida.

E eu queria saber dizer. Eu poderia, na verdade. Mas é que o mundo gira muito mais rápido agora, entende? E o que eu falo nesse agora, já não é mais o que eu falaria há um minuto. As estações não se sucedem; dentro da gente, elas se imbricam. Existe tanto a ser dito. Eu não gostaria de, simplesmente... Entende? Não é tão fácil assim amassar e amansar tudo isso num só peito sem sangrar, sem gritar, sem fugir. E eu não queria nem gritar, nem fugir. O mal que é bem, e não se sabe. Não é fácil, entende? E se a palavra mal cuidada escapa, e se o vento fecha olhos e ouvidos, e se ele leva tudo pra outra ponta da margem do sentido? É muito perigoso pensar em dizer. É preciso silêncio. Eu preciso de silêncio pra pensar, pra dizer. Mas, com você, há crianças e velhos rabugentos discutindo em cada canto da minha criação e, quem sabe... Entende? É como olhar a árvore (reta, força, cor e céu) e pensar na raiz: o real está além do que se vê. Eu precisava me perder pra não te perder, e nos perdia.

- Bem, bem... E a sua?
(por Filipe Couto)


1 - Eu, Chris Ramalho (que escreveu o prefácio do meu livro) e Eliane Vieira (querida amiga, ex-companheira de licenciatura) criamos um blogue para reunirmos nossas experiências em sala de aula e algumas de nossas tentativas artísticas diversas. O "TRÊS DA TRIBO" pode ser acessado pelo link: http://www.tresdatribo.blogspot.com/ . Lá, vou contribuir, quinzenalmente, com análises de textos e com a produção de contos, como este "Inania Verba", que publiquei acima.

2 - Meu livro ("Breves Cantares de Nós Dois") já está na Livraria da Travessa e na livraria do Arteplex Unibanco, mas também pode ser encomendado, é claro, pelo site da editora: 
http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=49&idProduto=49 .

3 - Não abandonei as poesias aqui do blogue, não! Ainda este ano eu volto com coisa nova, como já prometi!

4 - "Inania verba", em latim, significa "palavras inúteis" e é título, também, de um famoso poema do mestre Olavo Bilac.

Beijos e abraços!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

BREVES CANTARES DE NÓS DOIS - 9

Pessoal, tive a honra de participar de um dos mais tradicionais programas da tv brasileira, o SEM CENSURA (TV Brasil), para lançar o "Breves Cantares de Nós Dois". Para quem não pôde assisitir, eis aqui uma pequena amostra!


Beijos e abraços!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

BREVES CANTARES DE NÓS DOIS - 8

Olá!

1 - Meus amigos, a primeira tiragem já está esgotada! Que beleza, não? Mas a editora já estava aprontando mais exemplares; então, ninguém vai ter que esperar para ter o seu! Basta acessar o link: http://www.editoramultifoco.com.br/catalogo2.asp?lv=183 .

2 - Para acessar algumas das fotos do evento de lançamento do livro, como esta abaixo, clique no link: http://picasaweb.google.com/brevescantares/Lancamento# .


Filipe Couto ao lado de Priscilla Frade

durante a apresentação de 12/11 no espaço Multifoco

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

BREVES CANTARES DE NÓS DOIS - 7

Olá!

1 - Queridos e queridas, o livro já é um sucesso e tanto! A primeira edição vai se esgotar em breve! Quem quiser um exemplar, por favor entre em contato logo comigo (filipecouto@uol.com.br) ou com a editora (http://www.editoramultifoco.com.br/catalogo2.asp?lv=183 ).

2 - Volto a escrever poemas novos em dezembro!

3 - Deixo hoje aqui três vídeos da apresentação que a Priscilla Frade e eu fizemos no dia 12/11, lá no Espaço Multifoco! As fotos do evento irão para um álbum virtual em breve! Aliás, quem as tiver, por favor, passe pra mim!



Beijos e abraços!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

BREVES CANTARES DE NÓS DOIS - 6

1 - Meu coração bate rápido ainda agora, quando me lembro do que aconteceu ontem à noite, no lançamento do Breves Cantares de Nós Dois.

2 - Mais de duzentas pessoas conseguiram estar lá presentes (sei que muitas outras gostariam de comparecer, mas tiveram seus contratempos e afazeres). Mais de 130 livros foram por mim assinados com a maior alegria do mundo. Foi um dos maiores lançamentos de poesia do mercado editorial brasileiro. Isso tudo graças a vocês.

3 - Espero que todos tenham percebido a felicidade nos meus olhos e na minha voz! Obrigado a todos pela paciência de ficar às vezes quase uma hora na fila para pegar minha dedicatória e me dar um abraço. Foi difícil não ir às lágrimas em alguns momentos.

4 - Recebi inúmeras mensagens (e vocês não têm ideia de como é bom recebê-las!) elogiando não só o livro, mas também o ambiente fraterno, divertido e emocionante em que tudo aconteceu. Pra mim, foi tudo perfeito!

5 - Como eu disse durante a apresentação com a Priscilla Frade (que, como sempre, arrasou!), é muito comovente saber que existem pessoas que memorizaram poemas inteiros para repeti-los pra mim, que cantarolaram Sobre Desejos, Sobre a Verdade e Sobre Gavetas durante o show, que aplaudiram efusivamente cada récita. Pessoas, enfim, que entraram em catarse, como eu entrei. Fico tímido, sem falsa modéstia, diante de um carinho tão grande assim com o meu trabalho.

6 - Queria, mesmo que tarde, agradecer à Sâmia, minha editora, a quem eu devo a iniciativa do livro e o cuidado extremo na produção. Se Breves Cantares de Nós Dois ficou tão bonito, foi graças ao trabalho dela!

7 - Enquanto não chega às livrarias (não sei quando isso vai acontecer), aqueles que quiserem um exemplar podem entrar em contato comigo pelo email filipecouto@uol.com.br , ou com a Editora Multifoco pelo canal http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-loja-detalhe.php?idLivro=49&idProduto=49. Faremos de tudo para que o livro chegue às suas mãos o mais rápido possível!

8 - Em breve, divulgo aqui as fotos e os vídeos do evento. Aliás, quem tiver esse material entre em contato comigo, por favor, para que a gente possa fazer um álbum geral bem bacana à disposição de todo mundo!

9 - Obrigado, mais uma vez, por me fazerem todas as semanas uma pessoa mais feliz!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

BREVES CANTARES DE NÓS DOIS - 5

1 - Queridos e queridas, é amanhã! Dá um friozinho na barriga danado (na verdade, é um congelamento total) colocar esse "filho" no mundo, sabiam?

2 - Muita gente tem me perguntado qual é a altura do Espaço Cultural Multifoco, que é onde ocorre o evento! Ele fica na Rua Mem de Sá (já sabíamos). Depois dos Arcos da Lapa, passando pelo Teatro Odisseia e pelo restaurante Nova Capela, você já está quase lá! É do lado direito da rua, no número 126, não se esqueçam! O telefone da casa é 2222 - 3034.

3 - Não há hora "certa" para chegar, não! Até umas 22h30 ou mais, estarei lá com certeza!

4 - Não tenham medo de chuva, né? =)


Beijos e abraços a todos!


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

BREVES CANTARES DE NÓS DOIS - 4

1 – Como já disse a vocês, o prefácio do meu livro foi escrito pela Christina Bielinski Ramalho – amiga, poetisa e doutora em Ciência da Literatura. É um dos maiores gênios que eu conheço. Uma pessoa com extrema sensibilidade e com uma capacidade de trabalho assustadora. Hoje, ela vive em Madrid, Espanha, e por isso não poderá estar presente ao evento para que vocês possam conhecê-la pessoalmente. No entanto, quem quiser entrar em contato com um pouco da produção atual dela pode acessar o seu blogue Sob o Signo do Ar.

2 – A capa foi pensada e realizada por Daniel Moura, grande amigo de infância e de adolescência. No Colégio Militar do Rio de Janeiro, era o único jogador menor que eu no time de basquete. Hoje, ele é sócio-diretor da empresa Chalk Studio, um dos grandes escritórios de design do país. Criativo e competentíssimo, ele conseguiu captar a essência do livro num jogo de imagens e cores coerente e elegante, tão moderno quanto tradicional. Hoje, deixo para vocês a capa (apenas a frontal: as orelhas e a quarta capa do livro vocês conhecerão no dia 12 de novembro, às 19h, na Avenida Mem de Sá, 126, Lapa =)).

Beijos e abraços!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Breves Cantares de Nós Dois - 3

1 - Primeiro, quero deixar clara a minha alegria pelo apoio que recebo todos os dias no twitter, no msn, no facebook, no orkut, no meu email, nos comentários aqui, nas conversas do cotidiano, no aumento do número de visitas ao blogue... Obrigado, de verdade!

2 - Completamos esta semana 20.000 mil visitas individuais e 42.000 cliques (pessoas que entram mais de uma vez por dia) aqui! Cada visita dura, em média, 4 minutos e meio, é bom que se diga. Uma quantidade dessas de gente lendo poesia, mesmo que por cinco minutos, já me dá uma sensação danada de dever cumprido!

3 -
Descobri, também, que 47 (!!!) pessoas têm poemas meus nos seus perfis do ORKUT. Como nem todos deixam suas páginas pessoais visíveis, trata-se de um número impressionante... Pena que muitas delas eu não conheço para, pelo menos, agradecer a referência.

4 - O lançamento do "Breves Cantares de Nós Dois" vai fechar esse ciclo de uma forma belíssima, tenho certeza. Lembrando: tudo acontece no dia 12 de novembro, às 19h, na av. Mem de Sá, 126 - Lapa.

5 - Hoje, quero deixar um trecho do gentil, cuidadoso e elogioso prefácio escrito pela poetisa e doutora Christina Ramalho:

Breves cantares de nós dois é, enfim, um delicioso convite a reviver o amor como desejo, fantasia, realidade, dor, fonte de reflexão, fonte de amadurecimento. Em versos rimados ou não, livres ou não, Filipe Couto se faz um belo exemplo de arauto do amor, que simplesmente deseja:

Que seu amor não seja chegada,
mas partida, e que cada despedida
conserve a gravidade e a ternura
da perda original e definitiva.

Que a leitura do livro resgate o arauto em cada um de vós.

6 - Os poemas novos voltam em breve, prometo mais uma vez! Mas antes preciso descobrir que caminho seguir... E tenho convicção de que isso só vai acontecer mesmo com a publicação deste livro primeiro! Obrigado, também, pela compreensão!

Beijos e abraços!

P.S.: O show está ficando especial! ;)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Breves Cantares de Nós Dois - 2

1 - Alguns lançamentos de livro são muito chatos: o autor se distancia dos leitores como se fosse um super-herói, detentor do segredo das palavras que meros mortais não são capazes de entender, apenas de reverenciar.

2 - Como tenho verdadeiro pavor de eventos assim, o lançamento do meu livro vai ser diferente!

3 - A ideia é fazer mesmo uma festa, uma celebração; afinal, todas as pessoas que lá vão estar me são queridas, mesmo que não as conheça pessoalmente, e merecem aproveitar esse momento tanto quanto eu.

4 - Por isso, teremos lá um show, preparado com muito carinho, em que vão estar presentes, além de grandes sucessos da nossa música que têm relação com o livro, as composições que fiz em parceria com a Priscilla Frade, leituras dos poemas do livro e outras surpresas!

5 - Reforçando, a festa vai acontecer no dia 12 de novembro, às 19h, na av. Mem de Sá, 126 - Lapa.

6 - Quem quiser saber notícias do evento com maior frequência, siga-me no twitter: http://twitter.com/filipecouto .

7 - Como prévia, não custa nada deixar hoje aqui, reunidos, os links de alguns dos poemas musicados que vão fazer parte do evento!



8 - Vou voltar a atualizar este blogue com poemas novos em breve! Prometo!

Beijos e abraços!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Breves Cantares de Nós Dois - 1

1 - Há dois anos e meio comecei este blogue com o intuito de tirar meus poemas da gaveta e trilhar novas viagens (leia mais aqui).

2 - A participação de todos vocês, sem exceção, sempre foi muito importante. Os poemas comentados, os inseridos em perfis do orkut , em blogs e fotologs me enchem de orgulho. Ter a companhia de mais de 300 pessoas toda semana aqui é algo fantástico!

3 - Essa participação de vocês é tão importante que, em junho de 2007, um amigo, acidentalmente, acabou me dando uma ideia que me pareceu genial. Com a publicação do poema Sobre o Futuro, ele me perguntou: "você também pensou por que esse cara largou a mulher?". E assim surgiu o poema Sobre Tempestades, como resposta à pergunta dele. A questão é que eu tomei gosto por esse processo e, a partir daí, não parei mais de fazer poemas que dialogassem entre si!

4 - Pois é, meus caros! O que poucos de vocês sabem é que os poemas deste blogue contam uma história...!!!

5 - Aqui no blogue, eles estão, é claro, fora de ordem, mas falam de um casal que, a partir do amor (e de suas dores), sai numa viagem rumo ao autoconhecimento.

6 - "Mas em que ordem os poemas devem ser lidos para que a narrativa faça sentido?", alguém pode se perguntar.

7 - Só vai descobrir isso quem ler meu primeiro livro de poemas, editado pela Multifoco: "Breves Cantares de Nós Dois". =)

8 - Segundo a poetisa Christina Ramalho, que gentilmente fez o prefácio: "Impossível ler o livro sem recordar as próprias perdas, os amores vividos e os vívidos, os pequenos detalhes que sobrevivem às tempestades, as torturas e as delícias de amar. "

9 - O lançamento vai acontecer no dia 12 de novembro, às 19h, na av. Mem de Sá, 126 - Lapa.

10 - Nas próximas semanas, vou contando aqui mais detalhes desse evento! O que vocês acharam?!

11 - Conto, de verdade, com a presença de todos lá! Um grande abraço!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Poema 135

Atenção, atenção!

Se tudo der certo (e vai dar!), uma grande novidade a ser anunciada aqui na semana que vem!
Fiquem ligados!

Abraços e beijos!

Sobre Renascimentos

Nada se exclui
em definitivo:

a mancha que resiste
ao quadro ausente da parede.

Tudo pode renascer,
ainda que abafado
ou escondido.

Tudo pode renascer,
na mudez do abraço,
sem a ousadia do grito.

É a sombra
(e não o escuro)

o prenúncio
da claridade
.
(por Filipe Couto)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Poema 134

Mais um da série "poemas saídos da gaveta". Até semana que vem!

Sobre Espantos

É só no escuro
que enxergamos
um ao outro

(as mãos atônitas
a cada movimento,

cortando o silêncio
como adagas).

Juntos,
amamos como crianças
que descobrem a madrugada.

(por Filipe Couto, 05/2007)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Poemas 131, 132 e 133

Queridos e queridas, o trabalho anda me exigindo muito. Por isso, deixo hoje aqui, com uma ou outra adaptação, três poemas bem antigos. Volto a atualizar este blogue daqui a duas semanas, no dia 22 de setembro. Um forte abraço a todos!

Sobre Cuidados


É cedo ainda pra saber
tudo o que não sei. Não desperto

(antes da hora) os amores
que não tive ou que não amei.

Por enquanto, vou me juntando
nos sussurros dos muitos que sou.

Não como alguém que se precisa,
mas como quem se abre pro voo.
(por Filipe Couto, 07/2006)

Sobre Esperanças


Não preciso de primavera:
é só no outono que acaba a espera;

só no outono as folhas vêm à mão.

De cada ramo caem centenas delas.
Até que uma nos acerta gentilmente

o coração.
(por Filipe Couto, 09/2002)

A Menina dos Teus Olhos

Bem atrás desses teus olhos
(hoje tão cansados de ser)

ainda mora uma menina
lambuzada de sonho e tinta,

descobrindo o mundo inteiro pra mim.
(por Filipe Couto, 08/2000)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Poema 130

Com essa publicação, disponibilizo o áudio deste poema e, também, o do poema 1oo, Sobre o Fim. Para chegar rapidamente a ele, clique aqui. Volto a atualizar este blogue depois do feriado, no dia 8 de setembro.

Sobre Presenças

A presença
ondula... ondeia...

num mar alto
a um só tempo
tão certo quanto instável.

Neste mundo arredio,
nem tudo se vê.

Há coisas lindas
que se esquivam da luz.

Não você...
(por Filipe Couto)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Poema 129

Com essa publicação, disponibilizo também o áudio do poema 18, Sobre Covardias. Para chegar rapidamente a ele, clique aqui.

Autopsicografia

Se me dou inteiro
às palavras que escrevo

(minha pele, minhas roupas,
meu gosto, meu cheiro),

é por muito querer viver,
e não porque vivi.

Perco-me todo
num conto inventado:

minha vida não cabe em mim
.
(por Filipe Couto)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Poema 128

Com essa publicação, disponibilizo também o áudio do poema 30, Sobre Cicatrizes. Para chegar rapidamente a ele, clique aqui.

Casamentos Inesperados

Numa noite
em que a lua e a chuva

se combinavam
para criar-te estrelas
nos cabelos,

pediste-me uma chance
para mudar meu mundo
sem sequer conhecê-lo.

Dei-me.

(Lua, chuva, estrela:
quem se nega à tanta beleza?)

(por Filipe Couto)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Poemas 126 e 127

Queridos, entro de férias e, por isso, só volto a atualizar este blogue no dia 11 de agosto. Com esta publicação, disponibilizo também o áudio do poema 49, Sobre Sonhos. Para chegar rapidamente a ele, clique aqui. Beijos e abraços!

Metade

Que o amor
me livre desse peso
de escolher caminhos,

de poder ser
qualquer coisa
em qualquer tempo,

de viver sempre em liberdade.

Que o amor
me consuma até o meio,

e que seja dela
a minha outra metade.

(por Filipe Couto)


Sobre Falsas Liberdades


Teu cheiro, teu beijo, teu abraço:
para onde vão eles
depois que te deixo

na companhia duvidosa
da rua e dos astros?

Por isso, meu amor,
é que te visto
inteira de agora:

é a sina
de quem te quer
livre para a vida,

mas te deseja retida
no peito e na memória.
(por Filipe Couto)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Poemas 124 e 125

Com essa publicação, disponibilizo também o áudio do poema 65, Sobre Namoros. Para chegar rapidamente a ele, clique aqui.


Só Você

Com a doçura
das coisas mais simples
(e mais frágeis)

descobri hoje
que atrás dos teus ombros

escurece toda a paisagem.
(por Filipe Couto)


Sobre os Perigos de um Amor Escondido


Esconder o amor
é cultivá-lo, não esquecê-lo.

É sozinho, no silêncio
das paredes de vento,
regado com sonho, adubado com tempo,
que ele cresce glorioso, indomável, imenso.

No silêncio
(como a luz)
ele grita.
(por Filipe Couto)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Poemas 122 e 123

Com essa publicação, disponibilizo também o áudio do poema 39, Sobre Pipas. Para chegar rapidamente a ele, clique aqui.

Sobre a Primavera

De dentro do meu amor,

nascem todo dia
perfumes e cantos e calores.

Uma primavera inteira
(cheia de cores)

só pra mim
.
(por Filipe Couto)
Para uma moça que, ignorando as investidas amorosas do poeta, insiste em só dar atenção a quem não lhe quer bem

Enquanto
eles todos te talham,

teus olhos,
moça,

me atalham
.
(por Filipe Couto)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Poema 121

Vida (Mais que a Vida)
decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder
a uma pergunta fundamental da filosofia"
Albert Camus
(à amiga Patrícia K.)
No último (?)
frêmito das asas,

todo o vigor da vida
que já não morava
ali.

Há sim quem precise
fechar os olhos

(e se deixar longe)

para enfim poder ver
e ir
.
(por Filipe Couto)

Com essa publicação, disponibilizo também o áudio do poema 55, Sobre Partidas. Para chegar rapidamente a ele, clique aqui.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Poemas 118, 119 e 120

Com esta publicação, uma novidade há muito solicitada por vários leitores: a versão em áudio do poema ao final do texto. Volto a atualizar o blogue daqui a quinze dias, em 23 de junho.

Não deixem de visitar o meu outro espaço: As Primeiras Palavras ! Beijos e abraços!


Sobre o Tempo – meditação em três poemas

1.
Mesmo que muito eu me persiga,
creio que nunca me alcanço:

tenho horas de muita pressa,
quando tempo é de descanso;

enquanto o passado me carrega,
o futuro já me está fitando.

2.
Foi o próprio tempo (esse mestre impreciso)
que fez de mim esse todo inconstante,

com seu baile indeciso entre ir e vir
(ora para trás, ora para diante),

às vezes combinando
tudo que ainda não foi
com tudo que já foi antes,

sempre mudando, sempre ficando,
sempre dançando, dançando, dançando...

3.
Por isso é preciso tornar-se
inquilino do instante

(passear aquém ou além do destino,
mas viver de verdade no limiar do durante),

dançar com o rosto colado ao tempo,
e fazer de si seu mais terno amante.

Porque talvez
só realmente se alcance

aquele que de si mesmo
nunca se faz distante.

(por Filipe Couto)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Edição Especial

Comemorei meu aniversário no último dia 22, sexta-feira. No sábado, recebi da Priscilla Frade um presentão: o poema 36 (Sobre Gavetas ou Gaveta de Guardados) musicado de forma belíssima por ela.

Compartilho com as senhoras e com os senhores esse trabalho que é muito querido por mim e pela Priscilla: foi nossa primeira parceria, das muitas que ainda virão.


T
rata-se de uma versão produzida só com voz e violão, mas já dá pra ter uma boa ideia do que vai ser quando todos os instrumentos estiverem presentes.

Volto a publicar poemas inéditos no dia 9 de junho. Aliás, sei que andei relapso, mas prometo que vou responder a todos os comentários que vocês fizeram e que ainda vão fazer!


Beijos e abraços!

terça-feira, 19 de maio de 2009

Poemas 116 e 117

Cantiga

Quando parar de chover
(a alma já só umedecida)
ainda haverá dia, meu bem.

E entre as tantas ilhas d’água,
por todo lado espalhadas,

ainda haverá cigarras
(muitas e muitas cigarras)
perto, longe, onde-for,

zunindo bem alto
pra se deixar notar,

esperando um só olhar
pra se perder de amor.

(por Filipe Couto)

Sobre Vaidades


Por que
(distraída ao espelho)
só enxergas a ti mesmo,

e não a parte que te falta:

a parte em que
se encaixa exato
o espaço do meu beijo?
(por Filipe Couto)

terça-feira, 12 de maio de 2009

Poema 115

Sobre o Outono

Uma folha baila perdida
e se encaixa discreta
na gola da minha camisa:

também o outono
precisa de companhia.

(por Filipe Couto)